quinta-feira, 20 de outubro de 2011

DOCÊNCIA E POLÍTICAS DE IGUALDADE




Dentre os temas que ocupam grande parte dos debates sociológicos da atualidade estão as chamadas “políticas de igualdade”.  Trata-se de acolher e respeitar as diferenças de gênero, de raça, de cor, de religião, de opção sexual, de relacionamentos, e assim por diante. As chamadas políticas de inclusão social querem ajudar a perceber que a dignidade humana está acima de toda e qualquer diferença ou igualdade que se queira estabelecer. A preocupação que parece ser muito atual já foi tratada na sagrada escritura desde o princípio da organização do povo de Deus. Tomamos como referência e convidamos a Você professor, ler os seguintes textos:

 Êxodo 22, 20-26; Salmo 17(18) 2-3ª. 3bc-4. 47 e 51ab(R/.2);
 1Tessalonicenses 1, 5c-10; Mateus 22,34-40.

Estas leituras apontam exatamente para a questão das políticas de inclusão aos diferentes.  O livro do Êxodo faz uma recomendação de atualidade impressionante: Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes  estrangeiros na terra do Egito. Não façais mal algum à viúva nem ao órfão. Se os maltratardes, gritarão por mim e eu ouvirei o seu clamor”. O convite parece ter sido escrito no contexto do que se chama aceitação e acolhida das diversidades e das diferenças. Deus ouve o clamor de todos e ninguém pode se dar o direito de macular a dignidade alheia.
São Paulo, escrevendo aos cristãos da comunidade de  tessalônica  elogia o comportamento de todos pelo fato de se acolherem mutuamente e nesta acolhida demonstrarem sua abertura a Deus, a seu projeto e ao seu Filho Jesus: Com efeito, a partir de vós, a Palavra do Senhor não se divulgou apenas na Macedônia e na Acaia, mas a vossa fé em Deus propagou-se por toda parte. Assim, nós já nem precisamos de falar, pois as pessoas mesmas contam como vós nos acolhestes”. A alegria manifestada pelo apóstolo reside no fato da comunidade praticar a acolhida que se traduz num instrumento para que a palavra de Deus seja divulgada para todos em todos os lugares.
E no Evangelho Jesus desmonta o conceito perfeccionista dos fariseus que se imaginavam melhores e mais dignos do que os outros. Amar a Deus, diz Jesus, é acima de tudo amar as pessoas que são suas criaturas. Em resumo, é praticamente impossível dizer que se ama a Deus, sendo sectário e praticando algum tipo de discriminação e falta de acolhimento do diferente.
Os profissionais da educação estão convencidos da sua responsabilidade e tudo fazem para que sua prática pedagógica seja inclusiva e de modo nenhum discriminatória. Sendo ou não cristãos, sob o ponto de vista da espiritualidade, qualquer que seja a religião, ou mesmo não praticando nenhuma religião, os textos bíblicos que apresentamos podem servir como fundamento espiritual para estimular o reconhecimento e a dignidade de todos os membros das comunidades educacionais incrementando sempre mais as políticas de inclusão e de respeito às diferenças e aos diferentes.
                E que o Deus da paz esteja com todos!
Prof. Elcio Alberton

domingo, 9 de outubro de 2011

MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO... E AGORA JOSÉ?


TUDO O QUE É NOVO NASCE COM DORES DE PARTO...
COMENTÁRIOS AO TEXTO
ESTRUTURA CONCEPTUAL
DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
DE CARLOS MARCELO GARCIA.


Nossa reflexão a partir da leitura do texto em questão nos leva a fazer algumas observações de caráter bastante pessoal. Concordamos de modo significativo com o conceito de formação adotado pelo autor e o identificamos com nossa proposta de dissertação que trata da Mistagogia na Formação do docente.

A questão da formação do docente é parte de um complexo conjunto de fenômenos formativos e ainda não suficientemente esclarecidos. Muito além de transmissão de conteúdos e técnicas o processo formativo exige envolvimento por inteiro do formando. Trata-se de uma dimensão pessoal que tem a ver com vontade humana e implica em mudança pessoal e comportamental.

Concordamos com o autor na afirmação que a perspectiva formativa é um dos pilares da renovação da educação e que, neste sentido, deve consistir numa matriz disciplinar. Parece oportuno entender a expressão matriz muito mais abrangente do que uma simples relação de conteúdos. Reproduzimos na íntegra o conceito apresentado pelo autor sobre a formação de professores:

“A formação de professores é a área de conhecimentos, investigação e de propostas teóricas e práticas que, no âmbito da Didática e da Organização Escolar, estuda os processos através dos quais os professores – em formação ou em exercício – se implicam individualmente ou em equipe, em experiências de aprendizagem através das quais adquirem ou melhoram os seus conhecimentos, competências e disposições. Este processo lhes permite intervir profissionalmente no desenvolvimento do seu ensino, do currículo e da escola, com o objetivo de melhorar a qualidade da educação que os alunos recebem.”

Este conceito é a afirmação da primeira expressão do nosso trabalho ao dizer que o professor ensina muito pela sua experiência de vida, isto é, na condição de mistagogo. Nosso trabalho, como o texto em questão, contempla a formação como um enriquecimento de competências não exclusivamente acadêmicas. Em outras palavras a formação é um processo que necessariamente acaba nos alunos. (Se não houve aprendizagem não aconteceu o ensino).

O autor ajuda a entender a formação desde um ponto de vista personalista, no sentido de desenvolver estratégias e competências para um processo de mudança. E aí se delineia a imagem do professor que se aproxima do modelo eficaz sendo um ser humano com todas as vicissitudes próprias da sua condição, mas que se forma em vista do outro. Em outras palavras se poderia dizer que a formação de professores estabelece uma “pedagogia de resultado”.

Então está suficientemente claro que o desenvolvimento pessoal é o eixo da formação docente e um bom professor será aquele que caminha na direção de ser sempre mais um facilitador para criar condições de aprendizagem nos seus alunos a quem ele conhece na integridade. Esta figura não está longe do modelo de filósofo criado por Sócrates com a maiêutica e a ironia.

Neste sentido é mais fácil compreender o professor muito além de ser um técnico, mas construtor, como diria outro autor um “polidor de corações”, pois é das mãos do professor que nasce o ser humano, disse Rosseau. Então, para aquele que deseja ser bom professor pede-se pouco: “fazer o que fazem os bons mestres”, isto é, ser um mistagogo da educação.

A formação entendida como processo de mudança implica na aplicação das novas ideias que se configura num processo de desenvolvimento pessoal e profissional envolvente. Neste contexto todo o processo formativo passa pelo viés da colaboração e para isso o autor cria a expressão: “andragogia” – arte e ciência de ajudar adultos a aprender.
No mundo cristão católico adota-se a prática da lectio divina como uma forma de melhor viver o mistério da Palavra de Deus. Este método é basicamente o que o autor apresenta nas três últimas possibilidades que ele apresenta como as mais eficazes para compreender a formação.

Na Lectio Divina se usa as expressões: LECTIO (leitura), MEDITATIO (meditação), ORATIO (oração), CONTEMPLATIO (contemplação), COMMUNICATIO (comunicação). Aqui o autor apresenta sob os termos: contemplação, prática reflexiva, aprendizagem experimental.

Uma formação que não estabeleça um processo de transformação aborta o sonho dos educadores na maturidade e porque não dizer de outros profissionais. O que o autor chama de quarta etapa no exercício da missão de educar é denominado por um psicólogo da religião com o termo: Generatividade. Esta expressão quer indicar que a esta altura da missão o profissional precisa ver os “filhos dos seus filhos”, isto é o fruto do seu trabalho. Na falta deles, porque ele mesmo não produziu para em si reside a causa da frustração e do desencanto como consequência do desestímulo para os jovens o seguirem nesta missão.

Não será sem razão que nossos velhos cunharam a frase: "É preferível um triste santo a um santo triste”.

Evolução é a meta!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

CONGRESSO DE PROFESSORES DE TEOLOGIA

Entre os dias 03 e 05 de outubro participei do X Congresso de Teologia da PUCPR.

Alguns do  temas tratados no congresso foram:
Antropologia dual, História, Filosofia e Teologia - com a professora Angela Ales Bello, da Pontifícia Universidade Lateranense de Roma;
Gênero e Corpo - Com o professor Dr. Márcio Luiz Fernandes da PUCPR;
Gênero e Educação - Com o professor Dr. Sergio Junqueira da PUCPR;
Sexualidade e religião - Com a Professora Cláudia Kluck;
Mito e espaço na representação do gênero - com a professora Doutora emerli Schogl - EMBAP;
Masculinidades e feminilidades - representações contemporâneas de Gênero - Com o prof. Dr. Uipirangi Franklin da Silva Cãmara da Faculdade Teológica Batista do Paraná;
Ética e relações de gênero - Prof. Dr. Rogério Miranda de Almeida - PUCPR;
Eu trabalhei com o tema: Espiritualidade, Litrugia, Pastoral e questões de gênero.
E mais uma série de outros temas correlatos apresentado em forma de comunicação.




segunda-feira, 3 de outubro de 2011

PROFESSOR ELCIO ALBERTON DÁ CURSO EM CURITIBA

Nos Dias 30 de setembro, 01 e 02 de outubro o professor Elcio Alberton, lotado na Escola de Educação Básica Adelina Régis – Videira – SC, ministrou 20 horas de curso para um grupo de professores da Universidade Federal  do Paraná em Curitiba
O tema central  do curso tratou da PROFISSÃO/VOCAÇÃO E MISSÃO DO PROFESSOR, levando em consideração os seguintes aspectos:  A vida profissional do professor não pode ser separada da sua condição de SER HUMANO  e, portanto há uma estreita sintonia entre SER PROFESSOR e SER HUMANO, entre VIDA PÚBLICA PROFISSIONAL e REALIZAÇÃO PESSOAL inclusive no que se refere a relação do professor com o transcendente. SER PROFESSOR é um sacerdócio que implica conhecimentos técnicos, didáticos, pedagógicos, mas não menos conhecimentos humanos, espirituais e relacionais. No que se refere ao aspecto Relacional  leva em conta o relcionamento consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com o TOTALMENTE OUTRO.
Outro aspecto tratado no desenvolvimento do conteúdo se pautou na relação e no contato e na arte de ouvir a voz do TRANSCENDENTE que propõe uma resposta no cotidiano da profissão/missão/vocação do professor.
O terceiro aspecto tratado no curso tratou da imagem pública do professor. Ele é um Farol a quem a comunidade escolar e a própria sociedade acredita  ser possível seguir sua réstia de luz muito mais a partir do que ele é do que a partir do que ele ensina. Em outras palavras o professor ensina mais com a sua condição de SER PROFESSOR do que a de ESTAR PROFESSOR.
E  finalmente o  SER PROFESSOR,  exige um silenciar, que pode ser expresso com as máxima: "MORRER ANTES DE MORRER” ao mesmo tempo em que ele é FAROL é também PONTE, e sua irelevância e finalidade na sociedade encontram maior importância quando esta condição é experimentada no silêncio da  docência.