sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2012 – TUDO COMEÇANDO DE NOVO...


Diferente das anedotas que circularam sobre as curiosidades numerológicas do algarismo 11 e das combinações derivadas no decorrer de 2011, o número 12 tem, para a civilização ocidental, uma simbologia de perfeição e totalidade. Deste modo temos 12 para as horas do dia, 12 para os meses do ano, dúzia (12) para definir um número perfeito e assim por diante.
Numa rápida busca pela Sagrada Escritura, encontramos o número 12 também visto sob a ótica da perfeição. 12 são as tribos de Israel, 12 são os discípulos de Jesus, de 12 estrelas é feita a coroa com que foi agraciada a mulher vitoriosa do apocalipse, 144,000 (múltiplo de 12) é o número dos que foram salvos.
De qualquer modo reiniciar o ano, é começar de novo tendo em vista o conceito de melhoria e perfeição. Na perspectiva da visão e missão das instituições, mirar a perfeição é sinônimo de metas e objetivos. Tal condição supõe reconhecer as capacidades e os limites das pessoas e da própria instituição que se propõe o recomeço.
Uma das metas que todos almejam anualmente se concretiza no desejo de paz, naturalmente para que esta seja alcançada é importante ter objetivos que apontem na direção para onde se quer ir. O Papa costuma escrever anualmente, por ocasião do dia 01 de janeiro, uma carta aberta focando alguns objetivos pertinentes para que a meta da Paz Aconteça. Para o ano de 2012, Bento XVI, escreveu com o tema: “Educar os jovens para a justiça e a paz”.
Os pronunciamentos e escritos do atual Papa, trazem uma marca, a meu modo de ver, de exagerada preocupação com o que ele chama de “relativismo”. Independente desta consideração, para o ano de 2012, Bento XVI escreveu com os olhos e os pés na Europa e na crise que vive e experimenta o velho mundo e as chamadas nações desenvolvidas. O texto não faz nenhuma referência às sociedades emergentes e a situação social e política em que vivem os povos do terceiro mundo.
De qualquer modo os apontamentos que o Papa faz como objetivos para a meta da PAZ  merecem ser considerados e lidos à luz da perfeição que se deseja. Não fora de propósito a Carta a que nos referimos chama atenção para 12 componentes que integram o objetivo em questão. Para alcançar a PAZ, diz o Papa, há que se considerar:
1)    Reconhecer-se criado e educado por Deus, de modo a não se deixar abater pelas tribulações do cotidiano;
2)    Apostar na juventude, pois ela pode com “seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo”;
3)    Escutar e valorizar o mundo juvenil considerando este um “dever primário da sociedade”.
4)    Compreender que a vida se constitui no maior dom que o ser humano pode usufruir, daí que se constitui num dever imperioso dos adultos “comunicar aos jovens o apreço pelo valor positivo da vida, suscitando neles o desejo de consumá-la ao serviço do Bem”.
5)    O ano é novo e a meta é alcançar coisas novas e um mundo novo. Não ter medo da novidade que “nasce com dores de parte” e “olhar para os jovens com esperança, confiar nos jovens e suscitar-lhes a coragem de não se cansarem na busca pela verdade respeitando o bem comum”.
6)    Dentre os instrumentos mais adequados para  vislumbrar a meta importa reconhecer que “A educação é a aventura mais fascinante e difícil da vida”. É por ela, como se compreende na etimologia da palavra que a pessoa pode sair de si mesma e partir para novas realidades que fazem crescer.
7)    Não se pode imaginar uma atitude diversa neste caso, que não seja a responsabilidade do discípulo e do educador. Tal condição supõe muito mais do que “meros dispensadores de regras e informações; são necessárias testemunhas autênticas, ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua vida abraça espaços mais amplos. A testemunha é alguém que vive primeiro, o caminho que propõe”.
8)    A interdisciplinaridade que se persegue na escola vem contemplada na carta do Papa, pelo que se pode chamar de “inter-responsabilidade”. Todos os responsáveis pela condução das instituições sociais (famílias, partidos, associações, partidos, sindicatos, governos, etc...) “Velem, com grande sentido de responsabilidade, por que seja respeitada e valorizada em todas as circunstâncias a dignidade de cada pessoa”.
9)    Muitos cientistas já admitem que o princípio de tudo já não se constitui mais de 12 partículas, mas de 13, esta última foi batizada de “bóson de higgs” e popularmente conhecida como “partícula de Deus”. Não sem razão as comunidades escolares e todos os ambientes educativos são convidados a “ser lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irmãos. Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia após dia a caridade e a compaixão para com o próximo e de participar ativamente na construção duma sociedade mais humana e fraterna”. Em outras palavras Paulo Freire se expressou: “construir um mundo onde seja mais fácil de amar”.
10)    E eis que o Papa se encaminha para a conclusão da sua exortação fazendo um apelo “aos responsáveis políticos, pedindo-lhes que ajudem concretamente as famílias e as instituições educativas a exercerem o seu direito-dever de educar”.
11)    Do ponto de vista da intelectualidade, que lhe é peculiar, Bento XVI usou de perspicácia recorrendo a Santo Agostinho para fundamentar o desejo de todos: “Quid enim fortius desiderat anima quam veritatem – que deseja o homem mais intensamente do que a verdade?”.
12)    E a carta do Papa conclui com uma afirmação ainda não de todo aceita pelas instâncias educativas  e políticas. Educação não se faz somente com a preparação técnica e intelectual dos envolvidos. “a educação diz respeito à formação integral da pessoa, incluindo a dimensão moral e espiritual do seu ser, tendo em vista o seu fim último e o bem da sociedade a que pertence”.
Estes doze componentes facilitam a compreensão dos objetivos a que  a sociedade se propõe no início deste novo ano. Quero acreditar que muito ajudará na consecução da meta o projeto piloto do “Ensino Médio Integral” que está sendo implantado no Estado de Santa Catarina.
As inovações que acontecem no campo da Educação foram contempladas no documento de Aparecida, no qual os bispos da América Latina afirmam: “Vê-se com bons olhos um esforço dos estados em definir e aplicar políticas públicas nos campos a saúde, da educação, seguridade alimentar... “(AP 76).
Do ponto de vista das religiões merece recordar o que dizem os bispos católicos do Brasil na sua proposta pastoral para o quadriênio 2011-2015:  “O compromisso social tem, pois, sua raiz na própria fé”(DGAE 130c).
Para concluir é imprescindível reafirmar que a promoção da paz é uma meta posta para todas as pessoas, instituições e sociedades, naturalmente que a escola não pode ficar de fora.
E que a humanidade seja mais feliz! 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

CARTA PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ 01 DE JANEIRO 2012

Caros colegas, educadores e comunidade escolar, tomo a liberdade de lhe oferecer uma reflexão interessante sobre a educação. Eu mesmo farei algum comentário sobre o texto e sugiro também a sua participação. É costume que o Papa escreva uma carta de exortação para o primeiro dia de cada ano. A data é reconhecida como dia mundial da paz. Neste Ano o pronunciamento do Papa se dirige à educaçao e aos educadores. 
Feliz ano novo!

EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E A PAZ

1. INÍCIO DE UM NOVO ANO, dom de Deus à humanidade, induz-me a desejar a todos, com grande confiança e estima, de modo especial que este tempo, que se abre diante de nós, fique marcado concretamente pela justiça e a paz.
Com qual atitude devemos olhar para o novo ano? No salmo 130, encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de fé aguarda pelo Senhor « mais do que a sentinela pela aurora »(v. 6), aguarda por Ele com firme esperança, porque sabe que trará luz, misericórdia, salvação. Esta expectativa nasce da experiência do povo eleito, que reconhece ter sido educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribulações.
Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante. É verdade que, no ano que termina, cresceu o sentido de frustração por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas raízes são primariamente culturais e antropológicas. Quase parece que um manto de escuridão teria descido sobre o nosso tempo, impedindo de ver com clareza a luz do dia.
Mas, nesta escuridão, o coração do homem não cessa de aguardar pela aurora de que fala o salmista.
Esta expectativa mostra-se particularmente viva e visível nos jovens; e é por isso que o meu pensamento se volta para eles, considerando o contributo que podem e devem oferecer à sociedade. Queria, pois, revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz duma perspectiva educativa: « Educar os jovens para a justiça e a paz », convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo.
A minha Mensagem dirige-se também aos pais, às famílias, a todas as componentes educativas, formadoras, bem como aos responsáveis nos diversos âmbitos da vida religiosa, social, política, econômica, cultural e mediática. Prestar atenção ao mundo juvenil, saber escutá-lo e valorizá-lo para a construção dum futuro de justiça e de paz não é só uma oportunidade mas um dever primário de toda a sociedade.
Trata-se de comunicar aos jovens o apreço pelo valor positivo da vida, suscitando neles o desejo de consumá-la ao serviço do Bem. Esta é uma tarefa, na qual todos nós estamos, pessoalmente, comprometidos.
As preocupações manifestadas por muitos jovens nestes últimos tempos, em várias regiões do mundo, exprimem o desejo de poder olhar para o futuro com fundada esperança. Na hora atual, muitos são os aspectos que os trazem apreensivos: o desejo de receber uma formação que os prepare de maneira mais profunda para enfrentar a realidade, a dificuldade de formar uma família e encontrar um emprego estável, a capacidade efetiva de intervir no mundo da política, da cultura e da economia contribuindo para a construção duma sociedade de rosto mais humano e solidário.
É importante que estes fermentos e o idealismo que encerram encontrem a devida atenção em todas as componentes da sociedade. A Igreja olha para os jovens com esperança, tem confiança neles e encoraja-os a procurarem a verdade, a defenderem o bem comum, a possuírem perspectivas abertas sobre o mundo e olhos capazes de ver « coisas novas » (Is 42, 9; 48, 6).

Os responsáveis da educação
2. A educação é a aventura mais fascinante e difícil da vida. Educar – na sua etimologia latina educere– significa conduzir para fora de si mesmo ao encontro da realidade, rumo a uma plenitude que faz crescer a pessoa. Este processo alimenta-se do encontro de duas liberdades: a do adulto e a do jovem. Isto exige a responsabilidade do discípulo, que deve estar disponível para se deixar guiar no conhecimento da realidade, e a do educador, que deve estar disposto a dar-se a si mesmo. Mas, para isso, não bastam meros dispensadores de regras e informações; são necessárias testemunhas autênticas, ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua vida abraça espaços mais amplos. A testemunha é alguém que vive, primeiro, o caminho que propõe.

E quais são os lugares onde amadurece uma verdadeira educação para a paz e a justiça? Antes de mais nada, a família, já que os pais são os primeiros educadores. A família é célula originária da sociedade. « É na família que os filhos aprendem os valores humanos e cristãos que permitem uma convivência construtiva e pacífica. É na família que aprendem a solidariedade entre as gerações, o respeito pelas regras, o perdão e o acolhimento do outro ». Esta é a primeira escola, onde se educa para a justiça e a paz.
Vivemos num mundo em que a família e até a própria vida se vêem constantemente ameaçadas e, não raro, destroçadas. Condições de trabalho frequentemente pouco compatíveis com as responsabilidades familiares, preocupações com o futuro, ritmos frenéticos de vida, emigração à procura dum adequado sustentamento se não mesmo da pura sobrevivência, acabam por tornar difícil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a presença dos pais; uma presença, que permita compartilhar de forma cada vez mais profunda o caminho para se poder transmitir a experiência e as certezas adquiridas com os anos – o que só se torna viável com o tempo passado juntos. Queria aqui dizer aos pais para não desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de quem surgem justiça e paz autênticas.

Quero dirigir-me também aos responsáveis das instituições com tarefas educativas: Velem, com grande sentido de responsabilidade, por que seja respeitada e valorizada em todas as circunstâncias a dignidade de cada pessoa. Tenham a peito que cada jovem possa descobrir a sua própria vocação, acompanhando-o para fazer frutificar os dons que o Senhor lhe concedeu. Assegurem às famílias que os seus filhos não terão um caminho formativo em contraste com a sua consciência e os seus princípios religiosos.
Possa cada ambiente educativo ser lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irmãos. Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia após dia a caridade e a compaixão para com o próximo e de participar ativamente na construção duma sociedade mais humana e fraterna.
Dirijo-me, depois, aos responsáveis políticos, pedindo-lhes que ajudem concretamente as famílias e as instituições educativas a exercerem o seu direito--dever de educar. Não deve jamais faltar um adequado apoio à maternidade e à paternidade. Atuem de modo que a ninguém seja negado o acesso à instrução e que as famílias possam escolher livremente as estruturas educativas consideradas mais idôneas para o bem dos seus filhos. Esforcem-se por favorecer a reunificação das famílias que estão separadas devido à necessidade de encontrar meios de subsistência.
Proporcionem aos jovens uma imagem transparente da política, como verdadeiro serviço para o bem de todos. Não posso deixar de fazer apelo ainda ao mundo dos media para que prestem a sua contribuição educativa. Na sociedade atual, os meios de comunicação de massa têm uma função particular: não só informam, mas também formam o espírito dos seus destinatários e, consequentemente, podem concorrer notavelmente para a educação dos jovens. É importante ter presente a ligação estreitíssima que existe entre educação e comunicação: de fato, a educação realiza-se por meio da comunicação, que influi positiva ou negativamente na formação da pessoa.
Também os jovens devem ter a coragem de começar, eles mesmos, a viver aquilo que pedem a quantos os rodeiam. Que tenham a força de fazer um uso bom e consciente da liberdade, pois cabe-lhes em tudo isto uma grande responsabilidade: são responsáveis pela sua própria educação e formação para a justiça e a paz.

Educar para a verdade e a liberdade
3. Santo Agostinho perguntava-se: « Quid enim fortius desiderat anima quam veritatem – que deseja o homem mais intensamente do que a verdade? ». O rosto humano duma sociedade depende muito da contribuição da educação para manter viva esta questão inevitável. De fato, a educação diz respeito à formação integral da pessoa, incluindo a dimensão moral e espiritual do seu ser, tendo em vista o seu fim último e o bem da sociedade a que pertence.
Por isso, a fim de educar para a verdade, é preciso antes de tudo saber que é a pessoa humana, conhecer a sua natureza. Olhando a realidade que o rodeava, o salmista pôs-se a pensar: « Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que Vós criastes: que é o homem para Vos lembrardes dele, o fi lho do homem para com ele Vos preocupardes? » (Sal 8, 4-5). Esta é a pergunta fundamental que nos devemos colocar: Que é o homem?
O homem é um ser que traz no coração uma sede de infinito, uma sede de verdade – não uma verdade parcial, mas capaz de explicar o sentido da vida –, porque foi criado à imagem e semelhança de Deus. Assim, o fato de reconhecer com gratidão a vida como dom inestimável leva a descobrir a dignidade profunda e a inviolabilidade própria de cada pessoa.
Por isso, a primeira educação consiste em aprender a reconhecer no homem a imagem do Criador e, consequentemente, a ter um profundo respeito por cada ser humano e ajudar os outros a realizarem uma vida conforme a esta sublime dignidade. É preciso não esquecer jamais que « o autêntico desenvolvimento do homem diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em todas as suas dimensões », incluindo a transcendente, e que não se pode sacrificar a pessoa para alcançar um bem particular, seja ele econômico ou social, individual ou coletivo.
Só na relação com Deus é que o homem compreende o significado da sua liberdade, sendo tarefa da educação formar para a liberdade autêntica. Esta não é a ausência de vínculos, nem o império do livre arbítrio; não é o absolutismo do eu. Quando o homem se crê um ser absoluto, que não depende de nada nem de ninguém e pode fazer tudo o que lhe apetece, acaba por contradizer a verdade do seu ser e perder a sua liberdade. De fato, o homem é precisamente o contrário: um ser relacional, que vive em relação com os outros e sobretudo com Deus. A liberdade autêntica não pode jamais ser alcançada, afastando-se d’Ele.
A liberdade é um valor precioso, mas delicado: pode ser mal entendida e usada mal. « Hoje um obstáculo particularmente insidioso à ação educativa é constituído pela presença maciça, na nossa sociedade e cultura, daquele relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa como última medida somente o próprio eu com os seus desejos e, sob a aparência da liberdade, torna-se para cada pessoa uma prisão, porque separa uns dos outros, reduzindo cada um a permanecer fechado dentro do próprio “eu”. Dentro de um horizonte relativista como este, não é possível, portanto, uma verdadeira educação: sem a luz da verdade, mais cedo ou mais tarde cada pessoa está, de fato, condenada a duvidar da bondade da sua própria vida e das relações que a constituem, da validez do seu compromisso para construir com os outros algo em comum ». Por conseguinte o homem, para exercer a sua liberdade, deve superar o horizonte relativista e conhecer a verdade sobre si próprio e a verdade acerca do que é bem e do que é mal. No íntimo da consciência, o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer e cuja voz o chama a amar e fazer o bem e a fugir do mal, a assumir a responsabilidade do bem cumprido e do mal praticado. Por isso o exercício da liberdade está intimamente ligado com a lei moral natural, que tem caráter universal, exprime a dignidade de cada pessoa, coloca a base dos seus direitos e deveres fundamentais e, consequentemente, da convivência justa e pacífica entre as pessoas.

Assim o reto uso da liberdade é um ponto central na promoção da justiça e da paz, que exigem a cada um o respeito por si próprio e pelo outro, mesmo possuindo um modo de ser e viver distante do meu. Desta atitude derivam os elementos sem os quais paz e justiça permanecem palavras desprovidas de conteúdo: a confiança recíproca, a capacidade de encetar um diálogo construtivo, a possibilidade do perdão, que muitas vezes se quereria obter mas sente-se dificuldade em conceder, a caridade mútua, a compaixão para com os mais frágeis, e também a prontidão ao sacrifício.

Educar para a justiça
4. No nosso mundo, onde o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, não obstante as proclamações de intentos, está seriamente ameaçado pela tendência generalizada de recorrer exclusivamente aos critérios da utilidade, do lucro e do ter, é importante não separar das suas raízes transcendentes o conceito de justiça. De fato, a justiça não é uma simples convenção humana, pois o que é justo determina-se originariamente não pela lei positiva, mas pela identidade profunda do ser humano. É a visão integral do homem que impede de cair numa concepção contratualista da justiça e permite abrir também para ela o horizonte da solidariedade e do amor.

Não podemos ignorar que certas correntes da cultura moderna, apoiadas em princípios econômicos racionalistas e individualistas, alienaram das suas raízes transcendentes o conceito de justiça, separando-o da caridade e da solidariedade. Ora « a “cidade do homem” não se move apenas por relações feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. A caridade manifesta sempre, mesmo nas relações humanas, o amor de Deus; dá valor teologal e salvífico a todo o empenho de justiça no mundo ».
« Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados » (Mt 5, 6). Serão saciados, porque têm fome e sede de relações justas com Deus, consigo mesmo, com os seus irmãos e irmãs, com a criação inteira.

Educar para a paz
5. « A paz não é só ausência de guerra, nem se limita a assegurar o equilíbrio das forças adversas. A paz não é possível na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade ». A paz é fruto da justice e efeito da caridade. É, antes de mais nada, dom de Deus. Nós, os cristãos, acreditamos que a nossa verdadeira paz é Cristo: n’Ele, na sua Cruz, Deus reconciliou consigo o mundo e destruiu as barreiras que nos separavam uns dos outros (cf. Ef 2, 14-18); n’Ele, há uma única família reconciliada no amor.
A paz, porém, não é apenas dom a ser recebido, mas obra a ser construída. Para sermos verdadeiramente artífices de paz, devemos educar-nos para a compaixão, a solidariedade, a colaboração, a fraternidade, ser ativos dentro da comunidade e solícitos em despertar as consciências para as questões nacionais e internacionais e para a importância de procurar adequadas modalidades de redistribuição da riqueza, de promoção do crescimento, de cooperação para o desenvolvimento e de resolução dos conflitos.

« Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus » – diz Jesus no sermão da montanha (Mt 5, 9). A paz para todos nasce da justiça de cada um, e ninguém pode subtrair-se a este compromisso essencial de promover a justiça segundo as respectivas competências e responsabilidades. De forma particular convido os jovens, que conservam viva a tensão pelos ideais, a procurarem com paciência e tenacidade a justiça e a paz e a cultivarem o gosto pelo que é justo e verdadeiro, mesmo quando isso lhes possa exigir sacrifícios e obrigue a caminhar contracorrente.

Levantar os olhos para Deus
6. Perante o árduo desafio de percorrer os caminhos da justiça e da paz, podemos ser tentados a interrogar-nos como o salmista: « Levanto os olhos para os montes, de onde me virá o auxílio? » (Sal 121, 1). A todos, particularmente aos jovens, quero bradar: « Não são as ideologias que salvam o mundo, mas unicamente o voltar-se para o Deus vivo, que é o nosso criador, o garante da nossa liberdade, o garante do que é deveras bom e verdadeiro (…), o voltar-se sem reservas para Deus, que é a medida do que é justo e, ao mesmo tempo, é o amor eterno. E que mais nos poderia salvar senão o amor? ». O amor rejubila com a verdade, é a força que torna capaz de comprometer-se pela verdade, pela justiça, pela paz, porque tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (cf. 1 Cor 13, 1-13).
Queridos jovens, vós sois um dom precioso para a sociedade. Diante das dificuldades, não vos deixeis invadir pelo desânimo nem vos abandoneis a falsas soluções, que frequentemente se apresentam como o caminho mais fácil para superar os problemas. Não tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e o sacrifício, de optar por caminhos que requerem fidelidade e constância, humildade e dedicação. Vivei com confiança a vossa juventude e os anseios profundos que sentis de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Vivei intensamente esta fase da vida, tão rica e cheia de entusiasmo.
Sabei que vós mesmos servis de exemplo e estímulo para os adultos, e tanto mais o sereis quanto mais vos esforçardes por superar as injustiças e a corrupção, quanto mais desejardes um futuro melhor e vos comprometerdes a construí-lo. Cientes das vossas potencialidades, nunca vos fecheis em vós próprios, mas trabalhai por um futuro mais luminoso para todos. Nunca vos sintais sozinhos! A Igreja confia em vós, acompanha-vos, encoraja-vos e deseja oferecer-vos o que tem de mais precioso: a possibilidade de levantar os olhos para Deus, de encontrar Jesus Cristo – Ele que é a justiça e a paz.
Oh vós todos, homens e mulheres, que tendes a peito a causa da paz! Esta não é um bem já alcançado mas uma meta, à qual todos e cada um deve aspirar. Olhemos, pois, o futuro com maior esperança, encorajemo-nos mutuamente ao longo do nosso caminho, trabalhemos para dar ao nosso mundo um rosto mais humano e fraterno e sintamo-nos unidos na responsabilidade que temos para com as jovens gerações, presentes e futuras, nomeadamente quanto à sua educação para se tornarem pacíficas e pacificadoras! Apoiado em tal certeza, envio-vos estas reflexões que se fazem apelo: Unamos as nossas forças espirituais, morais e materiais, a fim de « educar os jovens para a justiça e a paz ».

Vaticano, 8 de dezembro de 2011.



segunda-feira, 21 de novembro de 2011

PROFESSOR INESQUECÍVEL...


Os desafios ou as exigências da educação, as necessidades dos alunos, a ausência dos pais, o descomprometimento dos governos, e etc. São apenas algumas considerações sobre as quais se poderia escrever muito quando se trata da “Profissão do Professor”. Neste momento, não me parece que discorrer sobre estas ou outras preocupações do gênero possa ajudar compreender que muito mais do que uma profissão a docência é uma Vocação e uma arte.
É sugestiva a consideração de Cavaco:

Entendo que ser professor é também aceitar a aventura, os riscos, os desafios, perseguir grandes metas, distinguindo-as  dos objetivos realizáveis a curto prazo; manter um certo grau de liberdade.; analisar a experiência própria e reconhecer o valor dos erros e dos acertos; escutar e reconhecer a razão dos outros; repensar a sua vida e reviver cada dia. (NOVOA, 1995, p. 190).

Sob esta  ótica proponho a reflexão sobre a mística e a missão da docência, no sentido de compreender que nenhuma exigência ou dificuldade, por significativa que seja, pode  abalar a determinação e a coragem de fazer o bem, de praticar a justiça de agir com caridade e irradiar alegria.
Ilusão? Nem tanto, isso será perfeitamente possível não, entretanto, sem se deixar “enxarcar” pela paixão do processo ensino aprendizagem. Esse processo consiste em compreender que a profissão de professor, de resto como todas as  demais, são muito mais que execução perfeita de atividades relativas à sua função, trata-se de gosto, prazer, alento em resumo, trata-se de ser um sinal da presença da Deus no meio do mundo.
Estou convencido que o texto do Evangelho de Mateus, no capítulo 25, 31-46 é aplicável na sua totalidade à arte da docência desde as condições que estamos refletindo: “tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos foi a mim que fizestes”. As palavras de Jesus fizeram eco em tantos homens e mulheres ao longo da história e certamente não será diferente no atual momento da história.
São Francisco de Assis pode ser tomado como eixo norteador e modelo a ser imitado para o  bom êxito na missão/vocação da docência:

Ó Mestre, fazei que eu procure mais: consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido, amar que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado; e é morrendo que se vive para a vida eterna.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

É PRECISO SABER VIVER...


 
Elcio Alberton[1]

Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver

Toda pedra do caminho
Você deve retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver

É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Saber viver, saber viver!

A origem grega do vocábulo: Σοφία, "Sofía" que mais tarde derivou para φιλοσοφία -"amor à sabedoria" (filos/Sofia), foi muito bem interpretada por Roberto Carlos na letra da canção: É PRECISO SABER  VIVER. De fato, mais do que em outros tempos, a metamorfose civilizatória na qual todos estão imersos pede a capacidade de agir com prudência, com sabedoria, com competência.
As oportunidades, os desafios, as exigências são sempre mais intensas, pertinentes e desafiadoras. Dentre elas não se pode fugir dos desafios atuais que permeiam a educação e os que nela estão envolvidos. Adequar os métodos, as ‘pedagogias’ e aplica-las ao cotidiano da vida escolar é uma questão de sabedoria ou se quiser de “amor à sabedoria” o que traduzido se pode dizer é uma questão de “filosofia”.
Responder a estas exigências já não é mais uma questão de autoridade, de responsabilidade ou de tarefas é uma questão de coletividade. Isto significa convencer-se que nada e em nenhum lugar tem sua resposta na dedicada atuação do “beija flor” que faz a sua parte com a intenção de debelar o incêndio que se alastra pela floresta.
Sem medo de errar, parece evidente que se trata de uma questão de “espiritualidade” de “mística”, de “paixão”. Na comunidade escolar todos estão convidados a sair da segurança das suas respostas para abraçar os desafios das inúmeras e novas perguntas.
Transformar a educação pode ser comparado à parábola do Evangelho: “Um homem foi viajar e deixou seus empregados para cuidar do seu patrimônio. Para um deixou cinco talentos, para outro, dois e para outro um”(Cf. Mt 25,14-30). De todos ele pediu satisfação referente ao período da sua ausência. Somente um deles não deu conta do recado, e não porque a incumbência fosse mais difícil, ou a tarefa mais exigente, ou a escola menos adequada, nem tampouco a qualificação do trabalhador.
Aquele que recebeu apenas um talento que de quem, obviamente, o patrão  não esperava a proporção do que recebeu cinco, se autoqualificou de medroso e incapaz para a tarefa. Enterrou a moeda que recebeu. Pode-se dizer, faltou-lhe ousadia, coragem, determinação. Prefiro dizer, faltou-lhe espiritualidade, mística, paixão!
O resultado não poderia ser outro: “Até o pouco que tem, deixará de ser seu”.
Nossas escolas estão sendo convidadas a multiplicar talentos. Faltam-lhes adequadas condições físicas, didáticas, pedagógicas, e por aí, se poderia continuar elencando uma série de deficiências. Certamente não faltam professores determinados, capazes, corajosos que, de longe, irão enterrar os talentos. Pelo contrário são mistagogos, e vivenciam tal condição fazendo produzir.
Para um é escola integral, para outro ensino médio inovador, para um terceiro alfabetização de jovens e adultos, para outro ainda ensino médio normal. Não importa o talento, nenhum é melhor ou mais importante. Um ou outro pode ser mais adequado ao momento, o que conta é encontrar o jeito de fazer produzir. E a isso chamo de Espiritualidade, de Mística, para o que muito ajuda a familiaridade com o Evangelho.


[1] Padre Católico e professor na Rede Estadual de Santa Catarina

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ENXARCADOS DE AMOR...


Caro(a)  professor(a), tomo a liberdade de parafrasear o texto “A paixão nacional” escrito por Eugênio Mussak e publicado pela Revista Você s/a nº96, 01/06/2006.
Convido-lhe  a reescrevê-lo assim:

PAIXÃO PELA EDUCAÇÃO...
Em épocas de grandes mudanças, vivemos também grandes preocupações!
A cada novo ano o(a) profissional da docência sente-se chamado a interpretar novas diretrizes emanadas das gerências de educação e algumas vezes da própria sociedade. Obviamente trata-se de aceitá-las ou não aceitá-las, muito mais coerente se é  aceitando-as  e fazendo isso com paixão.
Entenda-se por apaixonado, alguém capaz de trabalhar com comprometimento total, e dar o melhor de si pelos objetivos da educação. Um educador apaixonado é aquele cujos olhos brilham quando a escola tem sucesso e enfurece-se quando ela perde alunos e qualidade. Neste caso, sente como se fosse uma ofensa pessoal, então empenha-se inteiramente e não mede esforços para reverter a situação. O apaixonado sofre com o sofrimento da amada e se alegra com seu sucesso, por isso não tolera quedas de rentabilidade e vibra com o êxito crescente.
Por outro lado, temos que aceitar a responsabilidade que vem junto com as paixões desenvolvidas. Docentes  apaixonados são exigentes e não gostam de situações estáveis. Querem a evolução da escola em ritmo sempre crescente. São irrequietos, insatisfeitos, preocupados. Não entendem os que se acomodam na arte de educar sem buscar alternativas e novas possibilidades. Os apaixonados se doam mas exigem ser ouvidos, querem melhores condições de trabalho, novos desafios, mais responsabilidades. São empreendedores, autônomos e inovadores. São curiosos, transgressores e, às vezes, insolentes.
Apesar disso, queremos professores apaixonados, porque é deles que nasce a vida nova, o brilho da criação, a poesia do sucesso. Estamos dispostos a ser incomodados pelos apaixonados porque eles nos tiram da zona de conforto e nos empurram para novos caminhos. Preferimos o risco de sermos contrariados por um apaixonado ao risco de vermos nossas ordens serem meramente acatadas por um acomodado.
A direção da escola precisa  decidir e se propor a desenvolver a competência e investir tempo e talento dos docentes no sentido de conseguir um grupo de professores apaixonados, porque estes serão os que lhes ajudarão a ter uma escola nova a cada ano que começa.
Pode ser que, como disse o poeta, a paixão é um fogo que consome por dentro, mas também é a luz que ilumina o dia e dá sentido à vida. É ótimo ter – e ajudar a ter – paixões por ideias, tarefas, missões e causas. Afinal, uma escola sem paixões seria como uma Copa do Mundo sem a seleção brasileira. Dá pra imaginar?
Elcio Alberton[1]








[1] Padre Católico e professor na rede estadual de Santa Catarina

TUDO O QUE É NOVO NASCE COM DORES DE PARTO...



COMENTÁRIOS AO TEXTO
ESTRUTURA CONCEPTUAL
DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
DE CARLOS MARCELO GARCIA.

Elcio Alberton[1]


Nossa reflexão a partir da leitura do texto em questão nos leva a fazer algumas observações de caráter bastante pessoal. Concordamos de modo significativo com o conceito de formação adotado pelo autor e o identificamos com nossa proposta de dissertação que trata da Mistagogia na Formação do docente.

A questão da formação do docente é parte de um complexo conjunto de fenômenos formativos e ainda não suficientemente esclarecidos. Muito além de transmissão de conteúdos e técnicas o processo formativo exige envolvimento por inteiro do formando. Trata-se de uma dimensão pessoal que tem a ver com vontade humana e implica em mudança pessoal e comportamental.

Concordamos com o autor na afirmação que a perspectiva formativa é um dos pilares da renovação da educação e que, neste sentido, deve consistir numa matriz disciplinar. Parece oportuno entender a expressão matriz muito mais abrangente do que uma simples relação de conteúdos. Reproduzimos na íntegra o conceito apresentado pelo autor sobre a formação de professores:

“A formação de professores é a área de conhecimentos, investigação e de propostas teóricas e práticas que, no âmbito da Didática e da Organização Escolar, estuda os processos através dos quais os professores – em formação ou em exercício – se implicam individualmente ou em equipe, em experiências de aprendizagem através das quais adquirem ou melhoram os seus conhecimentos, competências e disposições. Este processo lhes permite intervir profissionalmente no desenvolvimento do seu ensino, do currículo e da escola, com o objetivo de melhorar a qualidade da educação que os alunos recebem.”

Este conceito é a afirmação da primeira expressão do nosso trabalho ao dizer que o professor ensina muito pela sua experiência de vida, isto é, na condição de mistagogo. Nosso trabalho, como o texto em questão, contempla a formação como um enriquecimento de competências não exclusivamente acadêmicas. Em outras palavras a formação é um processo que necessariamente acaba nos alunos. (Se não houve aprendizagem não aconteceu o ensino).

O autor ajuda a entender a formação desde um ponto de vista personalista, no sentido de desenvolver estratégias e competências para um processo de mudança. E aí se delineia a imagem do professor que se aproxima do modelo eficaz sendo um ser humano com todas as vicissitudes próprias da sua condição, mas que se forma em vista do outro. Em outras palavras se poderia dizer que a formação de professores estabelece uma “pedagogia de resultado”.

Então está suficientemente claro que o desenvolvimento pessoal é o eixo da formação docente e um bom professor será aquele que caminha na direção de ser sempre mais um facilitador para criar condições de aprendizagem nos seus alunos a quem ele conhece na integridade. Esta figura não está longe do modelo de filósofo criado por Sócrates com a maiêutica e a ironia.

Neste sentido é mais fácil compreender o professor muito além de ser um técnico, mas construtor, como diria outro autor um “polidor de corações”, pois é das mãos do professor que nasce o ser humano, disse Rosseau. Então, para aquele que deseja ser bom professor pede-se pouco: “fazer o que fazem os bons mestres”, isto é, ser um mistagogo da educação.

A formação entendida como processo de mudança implica na aplicação das novas ideias que se configura num processo de desenvolvimento pessoal e profissional envolvente. Neste contexto todo o processo formativo passa pelo viés da colaboração e para isso o autor cria a expressão: “andragogia” – arte e ciência de ajudar adultos a aprender.
No mundo cristão católico adota-se a prática da lectio divina como uma forma de melhor viver o mistério da Palavra de Deus. Este método é basicamente o que o autor apresenta nas três últimas possibilidades que ele apresenta como as mais eficazes para compreender a formação.

Na Lectio Divina se usa as expressões: LECTIO (leitura), MEDITATIO (meditação), ORATIO (oração), CONTEMPLATIO (contemplação), COMMUNICATIO (comunicação). Aqui o autor apresenta sob os termos: contemplação, prática reflexiva, aprendizagem experimental.

Uma formação que não estabeleça um processo de transformação aborta o sonho dos educadores na maturidade e porque não dizer de outros profissionais. O que o autor chama de quarta etapa no exercício da missão de educar é denominado por um psicólogo da religião com o termo: Generatividade. Esta expressão quer indicar que a esta altura da missão o profissional precisa ver os “filhos dos seus filhos”, isto é o fruto do seu trabalho. Na falta deles, porque ele mesmo não produziu para em si reside a causa da frustração e do desencanto como consequência do desestímulo para os jovens o seguirem nesta missão.

Não será sem razão que nossos velhos cunharam a frase: "É preferível um triste santo a um santo triste”.

Evolução é a meta!



[1] Padre Católico e professor na rede estadual de Santa Catarina